POR QUE VOLTEI A COMER CARNE: A MINHA SAÚDE ULTIMAMENTE

A minha melhor amiga, na altura da pré-adolescência, era vegetariana. Ir almoçar a casa dela significava experimentar um novo caril de lentilhas, acompanhado de um copo de iogurte líquido de sabor a manga e uma grande tigela de arroz. Lembro-me de cada detalhe desses almoços como se tivesse agora à mesa com ela e os pais, lembro-me de cada sabor e textura que me fez apaixonar pela cozinha vegetariana. E foi assim que eu deixei de comer carne vermelha: primeiro, porque nunca fui grande fã, e segundo, porque estava sempre com ela e acabei por absorver muitos dos seus hábitos. Foi também ela que me introduziu ao Reiki, à meditação, e à espiritualidade no geral. Hoje não falamos, mas sou-lhe eternamente grata por ter desempenhado a função que desempenhou na minha vida.

Apesar de não me ter tornado completamente vegetariana, porque ainda consumia carnes brancas e marisco, foi por volta dos 12 anos que decidi não comer mais carne vermelha. Coincidiu, também, com a altura em que estava a descobrir o mundo da nutrição e acabei por mudar radicalmente a minha perspectiva em relação à comida. Retirei o glúten, os fritos, a carne vermelha, comecei a comer apenas a quantidade que precisava, e perdi 18 quilos num ano. Mas já estou a divagar… voltemos à história da carne.

No início de 2016, o meu feed do Youtube foi inundado de sugestões de vídeos relacionados com o veganismo. Eu já andava frustrada com a minha alimentação, porque sentia que não conseguia chegar aos meus objetivos e sentia-me demasiado intoxicada. Consumi vídeos sobre a alimentação vegana como se a minha vida dependesse disso, e em pouco tempo resolvi retirar tudo o que era animal da minha alimentação. Foi assim que, durante 8 meses, limpei o meu corpo de muita porcaria: a minha pele melhorou bastante, os meus intestinos passaram a funcionar diariamente, sentia-me muito mais tranquila e menos ansiosa, e sentia-me conectada comigo mesma e com o mundo.

Ao fim de oito meses, consegui perceber que o meu corpo já tinha feito a limpeza que precisava e comecei a introduzir alimentos animais que faziam sentido para mim: marisco e ovos. Não os introduzi na minha alimentação diária, mas sim em situações pontuais, como ambientes sociais, viagens, etc. Fui ouvindo o meu corpo, e, apesar da totalidade daquilo que eu cozinhava em casa ser de origem vegetal, não dizia que não a um prato que incluísse marisco, ovos, ou lacticínios, quando estava fora de casa. No final das contas, 90% da minha alimentação continuou a ser de origem vegetal.

Há cerca de um mês que sinto uma exaustão como nunca tinha sentido antes. Ao início, achei que era por estar a começar projetos novos, que estavam a interferir com o meu sono – e sanidade mental, no geral. Mas chegou ao ponto de eu não me conseguir sequer levantar da cama, a minha pele ficar branca como cal, ter dores de cabeça que não desapareciam por um minuto, e a única vontade que eu tinha era dormir. Fiquei assustada.

Há uma semana fui fazer análises e ainda estou à espera dos resultados. Para a semana vou a uma consulta de homeopatia, porque desconfio que tudo isto tem origem nos meus intestinos: assim como todas as outras doenças. Já Hipócrates dizia “all diseases begin in the gut”. Eu tenho uma doença autoimune, que começa e acaba nos intestinos, como um ciclo, por isso eu sei que ao tratar do meu sistema digestivo, estarei a tratar de tudo o resto.

A verdade é que há três dias que me sinto com bastante mais energia, e até já fui ao ginásio. Sabes o que mudou? O meu corpo pediu-me carne vermelha, e eu ouvi. Nesta última semana comi carne vermelha duas vezes, e acredito que foi essa a grande diferença. Também voltei a retirar o glúten, que com certeza acelerou o processo. Esta fadiga extrema até pode ter a ver com outro problema qualquer, mas eu estou a ouvir o meu corpo e a fazer pequenas mudanças consoante aquilo que vai fazendo sentido para mim.

Qual é a moral desta história toda, e o motivo que me levou a escrevê-la? Eu decidi ser Health Coach, porque quero ensinar as pessoas a ouvirem o seu próprio corpo. Eu acredito que o nosso corpo se cura a si próprio, quando dadas as condições adequadas. E, no que toca à alimentação, não existe nada de linear ou eternamente correcto. As nossas necessidades mudam com o tempo e com o espaço, e se há um ano e meio a alimentação vegana serviu de tratamento, hoje a minha necessidade é outra. Acredito muito na alimentação vegana, assim como acredito em muitas outras “dietas”, sendo que cada uma funciona para um grupo limitado de pessoas, durante um período de tempo. Ouve o teu corpo, não sigas modas, aprende a educar-te e a pesquisar por ti e para ti, faz de ti o teu próprio laboratório e vais ver que vais ganhar a melhor arma que podemos ter: o auto-conhecimento.

Quanto ao meu diagnóstico, vou vos mantendo atualizados.

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6 Comments

  1. Olá Joana, antes demais muitos parabéns por não teres medo ou vergonha de dizeres que voltaste a consumir carne, porque muitas pessoas que adotam uma dieta vegetariana, se algum dia voltarem a comer carne, são literalmente chacinadas e espero que isso não aconteça contigo, porque se acontecer só quer dizer que as pessoas são ignorantes ao ponto de acharem que o corpo vai precisar sempre da mesma coisa para o resto da vida. Espero que fiques melhor e apesar de ja saberes isto, tem muito cuidado com anemia. Beijinho muito grande!

    1. Olá Sara 🙂 obrigada pelas tuas palavras! Não foi ausência de medo que me levou a escrever este post, porque quem anda neste meio tem de estar preparado para levar com tudo, foi mais o não querer saber porque sei que estou a fazer o melhor por mim. Muito obrigada e um beijinho grande <3

  2. Olá Joana é exactamente isso que eu faço e aprendi.Ouvir o que o meu corpo me pede.
    Se me pede carne, peixe eu como, se me pedi algo doce eu como.Mas também tenho alturas que ele me diz, basta chega não quero nada disso, e aí dou-lhe o que me pede, coisas mais leves, vegetaiS, fruta; leguminosas. E apensas isso.
    É preciso estar atenta ao corpo, ele próprio vai dizendo as coisas.

    Espero que tudo volte ao normal no teu corpo o mais rápido possível.
    Beijinhos grandes

  3. Olá, estou passando pelo mesmo dilema.. e fiz o mesmo hoje comi carne.. ainda não sei se é isso que meu corpo quer mas se for, voltarei a comer carne..

  4. Olá Joana. Obrigada por este post.
    Tenho uma questão: como gerir essa potencial necessidade com as questões éticas que levam algumas pessoas (como eu) a optarem por uma alimentação vegan/vegetariana?
    Não te julgo nem um bocadinho. Acho que se tens défices de energia (esperemos que as análises não apontem nada mais sério!) faz todo o sentido redefinir o teu plano alimentar. Felizmente a minha saúde há muitos anos que tem estado bem equilibrada (faço análises e exames anuais). Mas caso algum dia venha a ter essa necessidade, preocupa-me o conflito que possa vir a ter com as minhas opiniões e decisões, que têm fundamentos éticos e morais tão fortes.
    Beijinhos, saúde!

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