COMO O MINIMALISMO TE TORNA MAIS FELIZ

Eu descobri o conceito Minimalista há relativamente pouco tempo. Foi através de uma entrevista num dos muitos podcasts que adoro que fiquei a saber que existia tal movimento; antes disso, eu pensava que apenas existiam pessoas que tinham muita tralha e outras que eram extremamente organizadas e nada consumistas.

Foi um tópico que me passou a dizer muito, nas mais diversas áreas da minha vida. Não apenas relativo ao espaço onde habito, mas àquilo que como, que penso, que visto, que faço e com quem me relaciono. Se me considero minimalista? Não, de todo. Mas sei que estou no caminho de me tornar cada vez menos dependente das coisas, do ruído.

O que é o minimalismo?

Vamos começar por aquilo que o minimalismo não é: a maior parte das pessoas pensa que ser minimalista significa abdicar do máximo número de “coisas” possível, como o carro, a televisão, o T4 ou até mesmo o emprego. Ao contrário de uma restrição, eu considero o minimalismo uma forma de obtermos mais liberdade. O problema não é ter coisas. O problema é queremos ter demasiadas coisas, que nos tiram a liberdade a partir do momento em que lhes passamos a atribuir demasiada carga emocional e a depender dessas coisas. O minimalismo permite-te teres aquilo que realmente te faz feliz e concretiza, sem te deixares ser prisioneiro de objetos. Podes ter a casa dos teus sonhos, uma carreira incrível e quatro carros. O que o minimalismo faz é dar-te ferramentas para escolheres de forma consciente aquilo que consomes, libertando a tua vida de excessos tóxicos ao mesmo tempo que te dá espaço e tempo para apreciares aquilo que é realmente importante.

Para mim, este último tópico é extremamente importante: espaço e tempo. É exatamente o que eu noto cada vez que tomo uma decisão consciente, ou decido deixar no meu quarto apenas aquilo que preciso e que me faz feliz. Passo a ter mais espaço físico e mental e passo a ter mais tempo para fazer as coisas que gosto, em vez de me preocupar em perdê-lo em arrumações ou em tirar quinze minutos da minha manhã para decidir o que vou vestir. Em vez de ter quinze pares de calças, tenho três. Se antes usava os quinze? Claro que não, usava só os três que mais gostava – mas os restantes doze estavam ali a roubar-me espaço no armário e tempo da minha manhã. Elimina em vez de organizar.

Quando consomes apenas o que precisas, ficas com toda a liberdade do mundo para criares a vida dos teus sonhos. Passas a ter claridade mental, passas a ocupar-te com causas que importam, a focar-te na tua saúde e a descobrir o teu propósito de vida. Se pensares bem, todos nós queremos ser minimalistas: todos queremos viver a nossa missão ao máximo, procurando a felicidade não através das coisas, mas sim através das experiências.

Como te podes tornar mais minimalista

Começa devagar e só com aquilo que te fizer sentido. Mais uma vez, ser minimalista não é abdicarmos dos bens materiais, mas sim tomar decisões conscientes. É consumir com a cabeça, o coração e o espírito. Toma consciência do tipo de consumidor que és, e que alterações gostarias de fazer. Uma das vantagens de consumirmos menos e com mais consciência, é que passamos a valorizar a qualidade. Se antes eu comprar 6 pares de sapatos nos saldos, hoje não me sinto mal por comprar apenas um par que seja mais caro e não esteja em saldos – tenho muito mais a ganhar a longo prazo.

Faz uma limpeza genuína ao teu armário. Com genuína quero dizer que deves ser fiel a ti mesmo, e se sabes que é pouco provável que voltes a usar aquela peça, então pensa que outra pessoa lhe vai dar muito mais valor que tu. Mais ainda, provavelmente nunca mais te vais lembrar dessa peça – acredita, só custa dizer “esta não fica”, o resto é fácil. Ter só a roupa que realmente uso tem sido das maiores revelações da minha vida! Não só deixei de perder horas a olhar para o armário e a pensar “o que vou vestir?”, como passei a ser muito mais criativa com a minha roupa e a valorizar bastante as peças que duram e têm qualidade.

Podes fazer isto com tudo o que tens em casa, e também com aquilo que comes. A maior parte de nós come muito mais do que precisa, e tem demasiada comida em casa. Fazer uma limpeza à dispensa também é altamente terapêutico, e aproveitas para começar a consumir mais produtos frescos e menos enlatados e empacotados – só tens a ganhar!

O mais difícil é mesmo retirar a carga emocional das coisas. Lembro-me muito bem que, quando comecei a “livrar-me” dos excessos, cada peça de roupa me lembrava de uma história. Mas o importante é pensarmos que as histórias estão em nós, e não nas coisas; as memórias são nossas, e não é agarrarmo-nos a uma t-shirt de 2001 que as vai manter vivas. Liberta-te desses objetos e vais imediatamente sentir a tua mente a libertar-se de muita tralha.

Mais uma vez, ser minimalista não é ir a correr deitar os 20 pares de sapatos que tens. É tirares da tua vida o que consideras que está em excesso, para dares espaço àquilo que realmente te faz feliz. As melhores coisas da vida não são coisas, e só quando te livrares dos excessos é que vais conseguir ver isso claramente.

 

Todas as fotografias foram retiradas do Pinterest.

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6 Comments

  1. Sempre uma verdadeira inspiração Joana 🙂 Tenho seguido o teu percurso praticamente desde o início e tens traçado um caminho que só te pode deixar orgulhosa! #soproud
    Espero um dia encontrar-te por aí e conhecer-te!
    Beijinhos

    1. Olá Inês 🙂 Muito obrigada pelo carinho e apoio, fico mesmo feliz por saber que consigo inspirar de alguma forma! Também espero encontrar-te, e se isso acontecer não hesites em falar comigo 🙂 Beijinho enorme!

  2. Concordo plenamente contigo Joana! Se houve ensinamento que retirei desde o momento em que decidi ser minimalista foi o facto de tomar realmente consciência do que é importante para mim. Nunca fui de acumular nem de ter muita coisa ou de me apegar a coisas mas ter dado o passo de me livrar de tudo o que não me acrescentava valor foi muito libertador. Hoje em dia apenas tenho no meu armário peças de roupa que adoro. Curiosamente também só tenho 3 pares de calças mas adoro cada uma delas. Ao nível da alimentação tenho vindo a alterar alguns hábitos de consumo e os benefícios têm sido muito bons! Enfim, o minimalismo é uma corrente plena de ensinamentos da qual qualquer pessoa pode beneficiar! 😉
    Ah, muitos parabéns pela mudança de imagem. Ficou muito bonita e penso que tem tudo a ver contigo!
    Muito sucesso para esta nova etapa!
    Beijinho
    Cris

    http://www.lima-limao.pt

    1. Olá Cris 🙂 é isso mesmo, uma libertação, um processo que nunca acaba e que nos está sempre a ensinar! Obrigada pelos elogios, fico feliz por gostares da nova imagem 🙂 Beijinho enorme!

  3. Oii Joana, sou uma seguidora sua aqui do Brasil, e estou amando te acompanhar, estou vivendo um fase incrível na minha vida onde tenho me descoberto cada dia mais desapegada de “coisas”, comidas, móveis, roupas, também sou blogueira e só nós sabemos a pressão que a sociedade impõem sobre nós, precisamos ter muitas roupas, muitas maquiagens, uma casa grande amontoada de tralhas e não. Não precisamos de nada disso, esse teu post foi lindo e muito esclarecedor sobre o movimento minimalista, está na hora de percebermos que a vida é muito mais que as coisas que acumulamos, temos que acumular apenas uma coisa: conhecimento, isso e nada mais.
    Parabéns pelo trabalho lindo, beijinhos aqui do Brasil.

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